Apresentação

O que nos define

Seis amigos, um interesse comum: a arte contemporânea. Para uns, mais do que interesse, uma profissão. Dos dois lados da barricada, isto é, do lado que a produz e do lado que a interpreta e divulga ou colecciona. Mas, essencialmente, uma paixão: os livros e o universo das edições de arte contemporânea. Assim nasceu a Inc.- livros e edições de autor em Maio de 2008, o primeiro projecto em Portugal  dedicado à comercialização de livros de artista e edições de autor. Porque a consciência primordial é a de que uma edição, nomeadamente a edição de um livro, é sempre um acto de urgência. Urgência em partilhar com outros conteúdos que se julgam dignos desse acto comunicacional. E produzir um livro é sempre um acto de amor. Nesta área em particular, este é um veículo fundamental para a concretização das idiossincrasias criativas de autores, artistas e teóricos. Muitos dos exemplares que reunimos no nosso pequeno espaço são o fruto de anos e anos de trabalho, de inúmeras discussões editoriais, longos e penosos processos de produção, enfim, investimentos financeiros e afectivos determinantes nas carreiras dos respectivos autores. É com esse respeito e com a absoluta crença na viabilidade e imprescindibilidade deste meio que seleccionamos as obras que agora são partilháveis: porque também nos move um desígnio, que consiste na aproximação do fruidor ao objecto. É um lugar-comum, mas este é um daqueles que continua válido. O manuseamento de uma obra que reproduz fotografia, por exemplo, é fundamental. O modo como os artistas e os designers pensam a paginação, a inscrição da imagem no papel, a sua textura e a sua qualidade, tudo isto são factores que tornam os livros agentes únicos na criação, nos casos de sucesso, de momentos insubstituíveis numa cultura cada vez mais digitalizada.

E depois outra paixão: os discos, aqui principalmente aqueles que cruzam o universo musical e o das artes plásticas. Capas de vinis assinadas por artistas como Joseph Albers, Andy Warhol, Robert Rauschenberg ou Raymond Pettibon são verdadeiros marcos na cultura contemporânea.

Podemos achar que tudo está errado à nossa volta. Mas é reconfortante poder aceder a momentos tão singulares, tanto na cultura popular, como na cultura erudita. Como costumo referir, deixem-me a liberdade de acção e de gosto para poder decidir se quero acordar com Bach ou com os Chemical Brothers…de um extremo ao outro, entramos em muitas zonas cinzentas. E essas zonas são particularmente interessantes, por contraposição ao nivelamento mainstream que atacou a oferta musical e livreira no nosso panorama comercial.

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