Flávio de Carvalho: Série encontros

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Ana Maria Maia e Renato Rezende (orgs.), Azougue Editorial, 2015. € 12,00

Pt., 261 pp., 17,5×13,5 cm, softcover

A compilação de textos e depoimentos de um artista da importância de Flávio de Carvalho (1899-­?1973) cria uma oportunidade de reconexão com o seu legado para a história da cultura e das instituições culturais no Brasil desde os anos 1930. Ao celebrar a publicação do livro dedicado à sua obra e ao seu pensamento, organizado por Ana Maria Maia e Renato Rezende para a Colecção Encontros, a Editora Azougue enfatiza a persistência ainda hoje, embora pouco acessado na forma de texto, e o disponibilize para leitura e discussão das nova gerações.

Arquitecto, artista visual, dramaturgo, crítico, animador cultural e pesquisador de psicologia, etnografia e história, Flávio de Carvalho sempre usou os veículos de comunicação como espaço para repercurtir pensamentos e enfrentar a audiência do seu tempo. Enfrentar no sentido de ir ao encontro mas também ir de encontro, declarar partidos e galgar antagonismos expressos. Entre 1922, quando voltou a São Paulo depois do período de estudos na França e na Inglaterra, e 1973, quando faleceu na sua casa modernista da Fazenda Capuava, em Valinhos, foram inúmeros os casos em que as actividades de Flávio se apresentaram na forma de depoimentos públicos ou motivaram coberturas e respostas na imprensa. As entrevistas e depoimentos compilados para a Colecção Encontros (Editora Azougue( correspondem a diversos momentos da trajectória mediática do artista e ao seu hábito de coleccionar álbuns de recortes com as suas aparições, principalmente em jornais e revistas. Entre mais de uma centena de textos colectados, foram escolhidos os 34 que compõem o livro. A organização das entrevistas não corresponde a uma cronologia, mas pretende delinear assuntos que interessam ao artista, como a cidade, as “linhas de força” do humano e da sua criatividade e a reinvenção do projecto moderno a partir do contexto latino-americano. Flávio artista abordava essas temáticas na fronteira entre disciplinas e práticas, e demonstrava interesse pelos mecanismos de recepção e legitimação social de suas propostas.

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